Sobre votos e bandeiras

Acredito que carregamos as nossas próprias bandeiras políticas. E são elas que vamos cultivando, pegando gosto e nos inflamando em discussões por aí.

Pois bem, as minhas estão mais ligadas às questões sociais, minorias… É sobre isso que gosto de ler, escrever, conversar. É me baseando principalmente nisso que decido meu voto.

Eu não sou tonta. Sei muito bem que o governo Dilma empacou e muito as conquistas dos direitos das minorias, principalmente a LGBT e indígena. Sei também o quanto foi maléfico, para o debate das questões dessas mesmas minorias e para a proteção de nosso estado laico, os conchavos com a bancada mais retrógrada, a meu ver, do congresso nacional: a fundamentalista.


Porém, vocês não vão querer me convencer de que a melhor opção frente a esse quadro é o PSDB de Aécio, candidatura apoiada por políticos como Levy Fidelix, Pastor Everaldo, Feliciano, Bolsonaro, ou por figuras públicas como o Malafaia. Né?


Não. Eu escolho o lado apoiado por políticos como Erika Kokay, Jean Wyllys, Marcelo Freixo e Edilson Silva. Quem conhece as trajetórias desses sabe o respeito que elas merecem.

‪#‎MinhaOpinião‬ ‪#‎MudaMais‬ ‪#‎Dilma13‬

Paz e amor nessas eleições, por favor ✌❤

Começou aquele período animado de campanha eleitoral. Época em que as redes sociais ficam beeeem agitadas e a gente começa a sentir algumas animosidades, digamos assim, entre pessoas com ideias mais divergentes e exaltadas.

Pois bem, quem me conhece sabe que eu adoro uma discussão política, principalmente quando se trata de compartilhar textos e opiniões no Facebook. Até porque acho importante expressarmos as ideologias nas quais acreditamos, discutir política, pesquisar e compartilhar propostas de candidatos. Isso é cidadania, minha gente!

Mas, em tempos de amizades dilaceradas por brigas em redes sociais, eu venho por aqui conclamar a mim mesmo a tentar brigar o mínimo no facebook, afinal, vão-se as eleições, ficam-se os amigos.

E, convenhamos, não dá pra negar que todos nós temos o direito de manifestar nossas opiniões, por mais contraditórias que outros possam as achar. Claro que aqui não se enquadram manifestações de preconceitos e ódio aos semelhantes.

Enfim, o meu desejo para esse período eleitoral é que ele seja construído a base de muita informação, e não difamação, muita troca de ideias, e não de ofensas, e que minha timeline esse ano dê um show de consciência política. 🙂

Bolsa Família: Por que tanto preconceito?

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2014 chegando e, junto com ele, a proximidades das eleições presidenciais. Como era de se esperar, já começamos a ver discussões mais acaloradas sobre política, governo, políticas públicas de sucesso, de fracassos; um ataque dali, outro daqui… E um dos alvos preferidos da oposição continua sendo, claro, o Bolsa Família.

Pois bem, por ter lido um bocado sobre ele ultimamente, resolvi resgatar um texto que escrevi outro dia sobre o tema em outro blog tão não acessado como esse eheh. É, porque sou dessas que também adora discutir política.

Porém, não gostaria de abordar a questão do ataque pela oposição política, partidos e candidatos, mas sim o que mais me impressiona: o ataque de pessoas comuns (por comuns quero dizer sem interesses diretamente eleitoreiros) a um programa criado para ajudar outras pessoas comuns.

Será que é tão difícil assim se colocar no lugar do outro? Por quê? Vejamos. Não é raro encontrar hoje frases como essas espalhadas pelas redes sociais:

– “Não adianta dar o peixe, tem que ensinar a pescar!”

– “Não autorizei ninguém a usar o dinheiro que pago de imposto para dar esmolas a vagabundo”.

– “Não adianta dar dinheiro, tem que dar a essas pessoas uma educação de qualidade.”

– “A assistência tem que ser provisória, senão vira dependência, vira parasitismo.”

– “Conheço pessoas que não vão atrás de emprego para continuar recebendo a bolsa, conheço até várias outras que têm filhos apenas para receber o auxílio.”

Pois é. Impossível não supor que um baita preconceito permeia o discurso de quem realmente acredita que milhões de pessoas iriam optar por não trabalhar e não ter uma vida digna para receber míseros 70 reais mensais. Mas preconceituoso ainda seria acreditar que alguém iria se esforçar a ter pencas e pencas de filhos para receber uma bolsa que mal daria para sustentar uma pessoa só, quiçá ela e mais uma criança.

Voltando à primeira questão. Será que a dificuldade de se colocar no lugar do outro e tentar, por alguns segundos, se imaginar numa situação de extrema pobreza, é o que faz essas pessoas não perceberem o quão humilhante pode ser estar nessa condição de dignidade humana zero?

E não estou falando aqui em criticar o Programa, pois toda crítica é válida e sabemos que muito ainda falta para termos um conjunto de políticas públicas que permitam: a saída da extrema pobreza – educação de qualidade – capacitação profissional – pleno emprego. Mas estou falando daqueles que escancaradamente usam a crítica ao programa para camuflar um preconceito contra uma classe que se encontra em situação inferior.

Ora, nós sabemos que o programa em questão é destinado a famílias que estão abaixo da linha da pobreza, ou seja, não possuem nem as necessidades básicas atendidas, portanto, não teriam condições nenhuma para pensarem em outras prioridades, como educação, profissionalização, etc. Aliás, era isso que já mostrava aquela pirâmide de Maslow, lembra?

E é por isso que o Programa exige, entre outras contrapartidas, a frequência escolar dos filhos, pois, por mais difícil que seja difícil encaixar os adultos em programas de profissionalização que deem resultados a curto ou médio prazo, temos que tentar ao menos garantir um futuro minimamente digno para as próximas gerações. Ou não?

Para essas famílias, aquele discurso de “o que falta é uma educação de qualidade” está longe, mas muito longe de fazer algum sentido. Ou alguém realmente acha que bastaria “avisar” para esses pais – que dormem e acordam literalmente sem ter o que comer – que agora o Brasil tem boas escolas públicas e assim eles iriam correndo matricular seus filhos nelas.

Não, infelizmente a questão aí é bem mais delicada, tão delicada que fica até difícil de conseguirmos imaginar o que é passar os anos sem perspectiva alguma; passar dias e dias tendo que olhar para o rosto do filho com fome e dizer “hoje não temos o que comer”.

Ok. Mas saindo de toda essa reflexão pessoal do colocar-se no lugar do outro e pensar “ainda bem que não sou eu que me encontro nessa situação degradante”, bastaria uma rápida olhada nos jornais, sites e afins para ver que, sim, existem milhões de brasileiros saindo voluntariamente do Programa; mais de 50% dos participantes possuem algum trabalho ou ainda que os índices de aprovação dos estudantes que recebem o bolsa família vem melhorando e muito.

Ora, é óbvio que precisamos ainda de muitos e melhores programas de profissionalização para essa parcela da população, que precisamos de muito mais estímulo ao trabalho e que a educação no Brasil está longe de ser a ideal. Mas tão óbvio quanto isso é a certeza de que o investimento nessas áreas – ou a falta dele – em nada exclui a necessidade de programas como o Bolsa Família. Teremos ainda por um bom tempo a necessidade de programas de transferência de renda e isso não é exclusividade de um governo ou de outro e muito menos do Brasil. É só lembrarmos que esse tipo de incentivo começou em governos passados e que hoje o Brasil exporta o exemplo do Bolsa Família para outros países, como os Estados Unidos por exemplo. Sim! Os Estados Unidos possuem o Oportunity NYC, que foi inspirado em nosso Bolsa Família.

Por fim, saber que estamos contribuindo, com nossos impostos ou seja lá com o que for, para que milhões de brasileiros consigam sair de uma situação pela qual nunca desejaríamos passar nem em sonho, não deveria ser algo realmente perturbador ou revoltante. Revoltante sim seria saber que existem, bem aqui do nosso lado, tantas pessoas em condições deploráveis e nada estaria sendo feito para tentar mudar essa realidade.

Voto nulo é omissão, não é protesto

Ela levanta, vai até o púlpito, faz o protocolo de abertura aos presentes, deseja a paz do senhor aos irmãos, prega algumas palavras e começa a entoar, em playback, uma música gospel… Algo como “Senhor, meu Deus, quando eu maravilhar…”

Não, essa cena não aconteceu em alguma igreja evangélica, irmão. Pasmem, mas isso aconteceu em plena Câmara dos Deputados. Foi lá que uma deputada fundamentalista religiosa fez essa calorosa homenagem ao nosso querido Estado Laico, que hoje já se encontra em plena agonia.

Cenas dantescas como essa estão virando rotina no Congresso, espaço cada vez mais empestado pela bancada evangélica que só propõe retrocesso, ódio e intolerância ao já judiado povo brasileiro.

Pois bem, ao ver esse fundamentalismo se alastrar e se misturar à politica brasileira, que já não é das melhores, comecei a refletir sobre o voto, especificamente os votos nulos e brancos, aos quais muitas vezes optamos com a intenção de realizar algum tipo de protesto.

Hoje vejo como é perigosa essa ideia de nos omitirmos em uma das únicas chances que temos de mudar alguma coisa. Pois, se há alguma certeza é a de que essa parcela fundamentalista da população não vota nulo. Sabemos também que o que esses líderes religiosos sabem fazer muito bem é vender o seu peixe a muita gente. E se muitos deles conseguem facilmente tirar considerável dinheiro das pessoas, imaginem o quão fácil é arrancar um voto?

Ora, sabemos que um voto nulo ou branco não serve para absolutamente nada, já que independente da porcentagem desses, a eleição nunca será anulada. Ou seja, mesmo que 90% dos brasileiros votem branco/nulo, o candidato que tiver a maioria dos 10% dos votos chegará ao poder. Anular nosso voto não é protestar, mas se anular, e dar de bandeja para outras pessoas o direito de escolher quem vai comandar o país.

Então, porque nós que temos tanto acesso à informação e desejo de mudança progressiva deixamos outras pessoas decidirem por nós? “Porque eu acho que político é tudo igual e nenhum deles merece meu voto”, alguém vai me responder.

Mas aí eu perguntaria: Você realmente acha que uma fundamentalista como essa aí de cima, ou um Feliciano ou um João Campos da vida, realmente não fazem diferença negativa em nossa política? Você não apoiou algum protesto FORA FELICIANO? Se sim, então você não acha que político é tudo igual, caso contrário, tanto faz estar um ou outro lá dentro, e não deveríamos nos dar o trabalho de tentar expulsar quem quer que seja, correto?

Bem, com as eleições chegando e com o atual cenário de insatisfação geral, acho que vale a pena refletirmos sobre o nosso próximo voto. Acredito sim que devemos largar um pouco o discurso-desculpa de que político é tudo igual, largarmos a preguiça que nos faz formar opinião baseada em JPGs anônimos de Facebook e começarmos a pesquisar mais sobre quem faz política nesse país.

Não sei você, mas eu não quero saber que um não-voto meu ajudou a colocar no poder criaturas que, paga por nós, pregam abobrinhas em plenário, defendem curas de homossexuais, chamam estupradores de pai ou rotulam outras religiões de rituais macabros…

Esses fundamentalistas

O fundamentalismo é algo tão perigoso para a nossa sociedade, que devemos combatê-lo com todas as nossas forças, por mais bizarro e improvável de se alastrar que suas ideias possam parecer. Vide o caso da Uganda, que vive atualmente uma verdadeira caça aos homossexuais, que literalmente perderam o direito de ir e vir nesse país.

E para combater esse mal, precisamos saber exatamente as criaturas que pretendem implantar o fundamentalismo em nossas terras. Por isso, apresento, para quem não conhece, o Deputado João Campos (PSDB-GO), uma das principais cabeças por trás das bizarrices de Feliciano e um dos deputados que mais cria projetos que visam ao cerceamento dos direitos individuais baseados em crenças religiosas.

Eu fico me perguntando quando alguém vai conseguir enfiar na na cabeça desse indivíduo que o Estado é laico, ou melhor, quando as pessoas vão parar de votar em criaturas como essa?

Vejam só alguns dos projetos desse distinto deputado:

PEC 99/11 – Autoriza entidades religiosas a contestarem leis no Supremo Tribunal Federal (STF)

Decreto Legislativo 234/11 – A famosa cura gay, dispensa comentários.

PEC-164/2012 – Dá nova redação ao caput do art. 5º da Constituição Federal: Estabelece a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção.

PDC 224/11 – Tentou sustar a aplicação da decisão do STF, que reconhece a entidade familiar da união entre pessoas do mesmo sexo.

Ahhhhh e claro… Também votou a favor da PEC 37!!!

http://www.camara.gov.br/internet/deputado/Dep_Detalhe.asp?id=520857

O que é mesmo vandalismo?

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Vandalismo é obrigar trabalhadores a se amontoar em ônibus caindo aos pedaços.

Vandalismo é aprovar leis e mais leis que permitem a degradação do meio ambiente, esse sim, um patrimônio público insubstituível.

Vandalismo é preferir deixar ainda mais crianças sem lar, proibindo casais homoafetivos de adotar.

Vandalismo é querer voltar com os manicômios, obrigando a internação compulsória de usuários de drogas.

Vandalismo é querer aprovar lei proibindo prática de aborto a mulheres correndo risco de vida, ou querer dar o status de pai a estupradores.

Vandalismo é aguentar imbecis como Felicianos pisotear o que ainda existe dos direitos humanos.

Ah… Querem mesmo discutir vandalismos…?

Também não fico feliz com as cenas de vandalismos ocorrendo em nossas manifestações, acho desnecessário e descaracteriza o movimento. Mas, querer supervalorizar episódios pontuais e fechar os olhos para toda agressão a qual o Estado vem submetendo o povo brasileiro, é cinismo e cara de pau.