Azul é a cor mais quente?

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Aproveitando esse calor de Brasília, passo aqui pra comentar um pouco sobre o filme mais quente que vi nos últimos tempos – lembrando que assistirei Ninfomaníaca ainda essa semana, hein! eheh Mas bem. “Azul é a cor mais quente” não chama a atenção simplesmente pela polêmica cena de 7 minutos de sexo explícito, mas sim pela delicadeza que o diretor conseguiu passar, na minha opinião, em todo o restante do filme, ao apresentar de forma tão pura e crua o primeiro amor adolescente, extrapolando até mesmo a questão da homossexualidade.

Porém, o que mais me chamou a atenção e que me fez pensar muito no filme, tecer ideias, discutir em botecos e elocubrar mesmo foi o momento do fim da relação das duas garotas, a traição de Adèle e a reação de Emma. Na verdade, nem é sobre o filme em si que eu gostaria de comentar. É sobre algo que extrapola o filme e toca em nossas vidas mesmo, em nossas relações diárias.

Nossa, como me tocou a tristeza vivida por Adèle, quando ela se percebe tão abandonada e solitária na própria casa em que dividia com a namorada. A forma como Emma se despenca para o lado de outra garota, que possuía mais afinidades com ela, e escanteia Adèle chega a dar dó. É no meio dessa angústia que Adèle acaba traindo a namorada, se arrepende e, por fim, acaba contando a verdade. Bem, como resultado, a adolescente é expulsa de casa por Emma.

Pois é, isso me fez pensar em como às vezes conseguimos ser tão covardes e fracos. Não arrumamos coragem para “pró-ativamente” finalizar o que já terminou dentro de nós há tempos e levamos o outro a um sofrimento praticamente desnecessário. Foi essa sensação que tive durante Azul… Ora, Emma já estava “separada” de Adèle há algum tempo, evitando a garota e passando noites a fio com a nova colega. Mas, daí a conseguirmos chegar na outra pessoa e dizer duramente que não dá mais, são outros quinhentos.

É bem aí que mora o perigo. Quem nunca viveu ou percebeu por perto uma situação como essa? Em que, até inconscientemente, se escolhe o caminho aparentemente mais prático e fácil: destruir aos poucos e quase que sadicamente o que resta do relacionamento, deixar a outra pessoa tão, mas tão confusa quanto ao que está acontecendo que, de repente, se vê sem saber como agir e acaba: ou tomando a atitude de terminar o relacionamento – “que coisa ela quis terminar, não sei por que, mas também fazer o quê, né?” (não, não. Era isso mesmo que você estava querendo) – ou, pior, fazendo alguma besteira, como aconteceu com Adèle (aí, é melhor ainda, pois você ainda sai de cena como a traída e vítima na história).

Por que será que é tão difícil terminar um relacionamento? Será que é porque ficamos com medo de magoar o outro? Só que aí acabamos prolongando um sofrimento, deixamos a relação tão rançosa e o final, que sempre chega, acaba sendo ainda mais dolorido para ambas as partes.

Bem, foi sob esse aspecto que o filme mais me prendeu, me fez refletir e, sim, querer ter ele lá na minha prateleira… E vocês, gostaram do filme? =)

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Nouvelle Vague em Brasília

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Finalmente vou poder conferir um show de Nouvelle Vague em Brasília. Essa é uma das minhas bandinhas do coração e só tive a oportunidade de assistir ao show uma vez, quando ainda morava em Recife.

O show do coletivo francês será neste domingo (08), na 6ª edição do Celebrar Brasília, no pátio do Museu Nacional de Brasília. Já falei aqui, mas vale repetir: Mais um evento com entrada franca, mais um ponto positivo para a cidade ❤

É a primeira vez que Nouvelle vem à cidade, o que torna o encontro ainda mais imperdível. O grupo ficou conhecido por suas versões em bossa nova de músicas punck e new wave dos anos 80. “Dance with me”, “Teenage Kicks” e “Blue Monday” são algumas das músicas que ganharam versões delicadas nas vozes das vocalistas que passaram pelo coletivo.

Além de Nouvelle, o Festival, que acontece sábado e domingo, também recebe as bandas Ladytron, Teatro Mágico, Orquestra de Música Jamaicana e o show do álbum “Summer Samba”, da cantora americana Stacey Kent e do brasileiro Marcos Valle.

Para ter acesso à área reservada do Festival, basta entrar no site do evento, se cadastrar e descartar algum lixo nos Eco-Pontos credenciados: http://www.celebrarbrasilia.com.br/

À Primeira Vista

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Depois de algum tempinho sem ir ao teatro, fui conferir a peça “À primeira Vista”, um dos espetáculos do Festival Cena Contemporânea 2013. Aliás, uma entre tantas coisas legais, baratas ou grátis que a gente vê aqui em Brasília.

A peça, montagem de um texto do canadense Daniel MacIvor, relata os encontros, desencontros e reencontros de duas mulheres ao longo de vários anos. Após se conhecerem, as duas jovens acabam tendo uma noite juntas, momento que se esfumaça no ar, depois que uma delas foge atordoada por nunca ter tido uma experiência homoafetiva. Na verdade, isso é uma novidade para ambas, apesar de nenhuma suspeitar da inexperiência alheia.

A partir daí, a peça se desenrola em DR’s da efêmera relação, diálogos divertidos, músicas, referências ao universo pop e lembranças do passado. A música é um dos pontos fortes da peça, já que as duas moças circulam pelo universo musical alternativo local e até tentam formar uma fracassada banda, a Ukuleladies. Assim, músicas de Nirvana, Cat Power e The Cure são algumas das que embalam a peça.

A história de amizade das duas garotas, que não sabemos os nomes, é contada dentro de um cenário, figurinos e diálogos tão simples e agradáveis que deixam os espectadores bem à vontade para escutar os seus relatos sem que nem lembremos de fazer qualquer julgamento. É como se estivéssemos ouvindo pessoas próximas contando suas peripécias, se divertindo com isso, e nos fazendo rir também.

Enfim, a peça toda é uma fofura e se ela estiver passando na sua cidade, corra porque vale à pena =)