E o que nós fazemos pelos 200 beagles?

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Foi realmente comovente a revolta virtual gerada pelo caso dos beagles e marca Royal. Quanta gente indignada compartilhando o Snoopy com a plaquinha “Testa isso no seu cu!”. Tantas pessoas revoltadas, não sem razão, inspiraram tantas outras a também registrarem seu pavor aos testes realizados pelas marcas com os animaizinhos indefesos.

Mas tanto auê me levou a uma pergunta: de todas essas pessoas, quantas realmente se dão ao trabalho de verificar quais marcas não fazem testes em animais, antes de comprá-las?

E olha que definitivamente não estou me “incluindo fora dessa”. Na verdade eu nem compartilhei fotos revoltadas sobre o tema, pois me senti incomodada para fazê-lo. Afinal, não me lembro de uma única vez em que deixei de comprar alguma marca pelo fato dela fazer seus testes em animais.

Pois então, do que adianta tanto ativismo virtual se isso não se reflete nem de longe na prática? Ora, só existem marcas que testam produtos em animais porque existem pessoas para consumi-las. Ou não?

Mas é tão mais fácil e prazeroso jogarmos toda a culpa em outra pessoa, não é? E se essa outra pessoa está sendo atacada de todos os lados aí é que fica gostoso mesmo. Parece que lavamos a nossa alma em saber que tem alguém pior do que nós mesmos e fazemos questão de deixarmos isso bem claro.

Logicamente, eu não sou a favor de testes que submetem os animais a maus tratos, assim como sei que é realmente motivo para indignação o que estava sendo feito com os pobres beagles e certamente precisamos de legislação mais forte e muita ação para conter esses absurdos.

Mas será que basta a gente compartilhar fotos revoltadinhas na internet e cinco minutos depois sairmos serelepes para encher nossas sacolas de produtos os quais nem sequer procuramos saber a procedência?

Esse ataque feroz e conjunto ao instituto que cometeu essas atrocidades me pareceu uma forma coletiva de forjar a nossa não culpa em também fazer parte desse ciclo de produção-testes-consumo. Um acordo que podia ser lido assim: Ei, filhos da puta são unicamente eles, que fazem isso com os bichinhos, e nós não temos nada a ver com isso. Consumimos sim, mas porque somos praticamente obrigados a fazê-lo.

Será mesmo?

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Pelo aborto legal

Já pensou se as testemunhas de Jeová quisessem proibir todo mundo de fazer transfusão de sangue?

Ou se os adventistas do sétimo dia quisessem obrigar todo o país a parar nos sábados?

Pois pra mim a questão do aborto é bem semelhante a essas. Por que as pessoas querem obrigar todos a agirem de acordo com a SUA concepção religiosa? Por que eu nunca escutei ninguém defender a criminalização do aborto sem que não usasse sequer um argumento religioso? Se a minha religião não permite que eu aborte, eu tenho todo o direito de não abortar, oras!

Agora querer tirar o direito de escolha de outra mulher ou fechar os olhos para as barbaridades a que as mulheres e até crianças ainda hoje são submetidas por conta disso já é autoritarismo, ignorância, má fé e falta de amor ao próximo.

Nature

Nature is what we see—
The Hill—the Afternoon—
Squirrel—Eclipse— the Bumble bee—
Nay—Nature is Heaven—
Nature is what we hear—
The Bobolink—the Sea—
Thunder—the Cricket—
Nay—Nature is Harmony—
Nature is what we know—
Yet have no art to say—
So impotent Our Wisdom is
To her Simplicity.

(Emily Dickinson)