Olinda ♥

Olinda ♥

Já há quatro anos longe da minha cidade…

Mas quem é olidense de corpo ou alma sabe que a gente deixa Olinda, mas o original olinda style não deixa a gente.

Então, nada como colocar uma sandalinha de couro e correr todo o Cerrado atrás de uma boa tapioca; se acabar num show de Otto ou lotar a mala de deliciosos bolinhos de rolo =)

Voto nulo é omissão, não é protesto

Ela levanta, vai até o púlpito, faz o protocolo de abertura aos presentes, deseja a paz do senhor aos irmãos, prega algumas palavras e começa a entoar, em playback, uma música gospel… Algo como “Senhor, meu Deus, quando eu maravilhar…”

Não, essa cena não aconteceu em alguma igreja evangélica, irmão. Pasmem, mas isso aconteceu em plena Câmara dos Deputados. Foi lá que uma deputada fundamentalista religiosa fez essa calorosa homenagem ao nosso querido Estado Laico, que hoje já se encontra em plena agonia.

Cenas dantescas como essa estão virando rotina no Congresso, espaço cada vez mais empestado pela bancada evangélica que só propõe retrocesso, ódio e intolerância ao já judiado povo brasileiro.

Pois bem, ao ver esse fundamentalismo se alastrar e se misturar à politica brasileira, que já não é das melhores, comecei a refletir sobre o voto, especificamente os votos nulos e brancos, aos quais muitas vezes optamos com a intenção de realizar algum tipo de protesto.

Hoje vejo como é perigosa essa ideia de nos omitirmos em uma das únicas chances que temos de mudar alguma coisa. Pois, se há alguma certeza é a de que essa parcela fundamentalista da população não vota nulo. Sabemos também que o que esses líderes religiosos sabem fazer muito bem é vender o seu peixe a muita gente. E se muitos deles conseguem facilmente tirar considerável dinheiro das pessoas, imaginem o quão fácil é arrancar um voto?

Ora, sabemos que um voto nulo ou branco não serve para absolutamente nada, já que independente da porcentagem desses, a eleição nunca será anulada. Ou seja, mesmo que 90% dos brasileiros votem branco/nulo, o candidato que tiver a maioria dos 10% dos votos chegará ao poder. Anular nosso voto não é protestar, mas se anular, e dar de bandeja para outras pessoas o direito de escolher quem vai comandar o país.

Então, porque nós que temos tanto acesso à informação e desejo de mudança progressiva deixamos outras pessoas decidirem por nós? “Porque eu acho que político é tudo igual e nenhum deles merece meu voto”, alguém vai me responder.

Mas aí eu perguntaria: Você realmente acha que uma fundamentalista como essa aí de cima, ou um Feliciano ou um João Campos da vida, realmente não fazem diferença negativa em nossa política? Você não apoiou algum protesto FORA FELICIANO? Se sim, então você não acha que político é tudo igual, caso contrário, tanto faz estar um ou outro lá dentro, e não deveríamos nos dar o trabalho de tentar expulsar quem quer que seja, correto?

Bem, com as eleições chegando e com o atual cenário de insatisfação geral, acho que vale a pena refletirmos sobre o nosso próximo voto. Acredito sim que devemos largar um pouco o discurso-desculpa de que político é tudo igual, largarmos a preguiça que nos faz formar opinião baseada em JPGs anônimos de Facebook e começarmos a pesquisar mais sobre quem faz política nesse país.

Não sei você, mas eu não quero saber que um não-voto meu ajudou a colocar no poder criaturas que, paga por nós, pregam abobrinhas em plenário, defendem curas de homossexuais, chamam estupradores de pai ou rotulam outras religiões de rituais macabros…