Um tango pra distrair

foto (15)

Pra fugir um pouco de todas essas manifestações e discussões políticas, resolvi comer uma bolachinha, enquanto relembrava um pouco da viagem relâmpago que fiz a Buenos Aires, no Carnaval.

Nada como três noites em terras argentinas, correndo para conseguir ver, se não todos, os principais pontos turísticos da cidade. Bosques de Palermo, Jardim Japonês, Recoleta, Caminito, San Telmo, Plaza de Mayo, Puerto Madero… Com um roteirinho já pré- estabelecido e a boa vontade das companheiras de viagem deu pra voltar com um saldo bem positivo para uma viagem tão curta.

No meio de nossa correria e das ruas estavam as “murgas”, espécies de blocos carnavalescos locais, que deixaram a cidade ainda mais colorida, com pessoas de roupas engraçadas dançando e brincando num modesto carnaval. Lendo depois, descobri que essas murgas geralmente possuem músicas e encenações de cunho político, mas passei bem longe de deduzir isso quando esbarrei com elas nas ruas de Palermo.

E mesmo com os minutos contados, algumas paradinhas acho que foram indispensáveis pra sentir o gostinho da cidade: um sorvete na Freddo, um almoço em Puerto Madero e um café no Histórico La Biela.

foto (12)foto (11)

Para quem tem, assim como eu, uma espécie de tara em feirinhas de rua, Buenos Aires também não nos deixa na mão. Consegui encher uma sacolinha de bugigangas encontradas em feirinhas nos bairros de Palermo, Recoleta, Caminito e, claro, na famosa feira de San Telmo.

Por fim, os encantos dos tangos e seus personagens também podem ser apreciados em vários pontos da cidade, desde os dançarinos de rua até as casas de shows, das mais modestas às mais hollywoodianas. Escolhemos ir ao El Querandi, que oferece um espetáculo de tango genuíno em local pequeno, mas bem aconchegante, onde ficamos praticamente coladas no palco.

Como falei, uma viagem tão curtinha quanto agradável, que nos deixou com um gostinho de alfajor sabor quero-mais da capital argentina ♥

Advertisements

Uganda – O pior lugar do mundo para ser gay

Para quem ainda tem dúvidas do que o fundamentalismo religioso pode fazer com a vida de um país, sugiro assistir ao documentário da BBC “O pior lugar do mundo para ser gay”.

É preciso ter muito estômago para conseguir ver 51 minutos de muita humilhação, violência física e psicológica e marginalização a que os gays são submetidos diariamente na Uganda.

Lá a homofobia é completamente generalizada e o sentimento de “morte aos gays” é cultuado nas ruas, lares, escolas, igrejas e na mídia, que chega inclusive a divulgar fotos de homossexuais com o carimbo “Procura-se!”.

“Eu odeio os homossexuais”, “essas pessoas deveriam ser presas pra sempre ou morrer”, “queria ter o direito de matá-los” são algumas das frases acolhedoras que o apresentador da BBC encontra nas ruas de Uganda. E a justificativa é sempre a mesma: a bíblia condena a homossexualidade.

Mais de 80% da população desse país africano é formado por cristãos, divididos entre católicos e anglicanos, o que só nos dá mais uma prova de como o fundamentalismo pode contaminar qualquer tipo de religião ou crença.

Ao terminar de ver o filme, a sensação de angústia e incredulidade só me fez pensar numa coisa: como a fé cega, o fundamentalismo e, claro, a ignorância podem tornar as pessoas tão cruéis? E a crueldade escoltada por uma bíblia é mais feia de se ver.

Esses fundamentalistas

O fundamentalismo é algo tão perigoso para a nossa sociedade, que devemos combatê-lo com todas as nossas forças, por mais bizarro e improvável de se alastrar que suas ideias possam parecer. Vide o caso da Uganda, que vive atualmente uma verdadeira caça aos homossexuais, que literalmente perderam o direito de ir e vir nesse país.

E para combater esse mal, precisamos saber exatamente as criaturas que pretendem implantar o fundamentalismo em nossas terras. Por isso, apresento, para quem não conhece, o Deputado João Campos (PSDB-GO), uma das principais cabeças por trás das bizarrices de Feliciano e um dos deputados que mais cria projetos que visam ao cerceamento dos direitos individuais baseados em crenças religiosas.

Eu fico me perguntando quando alguém vai conseguir enfiar na na cabeça desse indivíduo que o Estado é laico, ou melhor, quando as pessoas vão parar de votar em criaturas como essa?

Vejam só alguns dos projetos desse distinto deputado:

PEC 99/11 – Autoriza entidades religiosas a contestarem leis no Supremo Tribunal Federal (STF)

Decreto Legislativo 234/11 – A famosa cura gay, dispensa comentários.

PEC-164/2012 – Dá nova redação ao caput do art. 5º da Constituição Federal: Estabelece a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção.

PDC 224/11 – Tentou sustar a aplicação da decisão do STF, que reconhece a entidade familiar da união entre pessoas do mesmo sexo.

Ahhhhh e claro… Também votou a favor da PEC 37!!!

http://www.camara.gov.br/internet/deputado/Dep_Detalhe.asp?id=520857

O que é mesmo vandalismo?

810173_95812003

 

 

 

 

 

 

 

Vandalismo é obrigar trabalhadores a se amontoar em ônibus caindo aos pedaços.

Vandalismo é aprovar leis e mais leis que permitem a degradação do meio ambiente, esse sim, um patrimônio público insubstituível.

Vandalismo é preferir deixar ainda mais crianças sem lar, proibindo casais homoafetivos de adotar.

Vandalismo é querer voltar com os manicômios, obrigando a internação compulsória de usuários de drogas.

Vandalismo é querer aprovar lei proibindo prática de aborto a mulheres correndo risco de vida, ou querer dar o status de pai a estupradores.

Vandalismo é aguentar imbecis como Felicianos pisotear o que ainda existe dos direitos humanos.

Ah… Querem mesmo discutir vandalismos…?

Também não fico feliz com as cenas de vandalismos ocorrendo em nossas manifestações, acho desnecessário e descaracteriza o movimento. Mas, querer supervalorizar episódios pontuais e fechar os olhos para toda agressão a qual o Estado vem submetendo o povo brasileiro, é cinismo e cara de pau.